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Notícias

27/01/2012

04/05/2011 – Prática do bocha adaptado gera benefícios físicos e sociais para deficientes 

José Carlos e Ivanildo treinando

Considerada uma forte aliada na recuperação de pessoas com deficiência (PcD), o bocha adaptado é um esporte ainda em ascensão, principalmente na categoria desportiva. Modalidade antes praticada apenas por pessoas com paralisia cerebral ou indivíduos que tinham os quatro membros comprometidos e fazia uso de cadeiras de rodas; hoje o bocha é indicado para pessoas com outras deficiências, desde que similares à paralisia ou tetraplegia.

03/05/2011 – Natação ajuda a superar deficiência

Luís em mais uma vitória no Parapan Rio

Considerado um esporte completo por tonificar os músculos do corpo e não causar impactos nas articulações, a natação é uma forte aliada na superação de pessoas com deficiência (PcD), pois devido às facilidades e aos benefícios proporcionados pela execução do movimento do corpo dentro da água, o esporte desenvolve o condicionamento aeróbio, a coordenação motora e reduz a fadiga muscular.

27/04/2011 – Atletismo: exemplo de vitória no esporte e na vida

Atleta deficiente visual utilizando a corda como adaptação

Presente no cotidiano, pois é composto por atividades feitas no dia a dia como correr, pular e arremessar, o atletismo é uma modalidade de fácil acesso, uma vez que não necessita de outros equipamentos para praticá-lo. A modalidade tem sido uma ótima alternativa para superar a deficiência. Para deficientes visuais, as provas devem ser feitas com a ajuda de um guia, atleta que auxilia o deficiente na execução da atividade.

27/04/2011 – Prática do Basquetebol sobre rodas é limita devido ao custo

Equipe de cadeirantes de Teresina

Praticado por lesados medulares, amputados e atletas com poliomielite de ambos os sexos, o basquetebol sobre rodas, mantém praticamente as mesmas regras do basquetebol convencional, sofrendo apenas algumas adaptações. Entre elas, o uso da cadeira de rodas, que se torna o principal empecilho para a prática desse esporte em Pernambuco, devido ao seu custo muito alto.

Bocha: uma aliada na recuperação

04/05/2011

 

Grande aliada na recuperação de deficientes físicos, a bocha é um esporte ainda em ascensão, principalmente na categoria desportiva, que já apresenta significativos benefícios para atletas com deficiência física. Antes era praticado apenas por pessoas com paralisia cerebral ou indivíduos que tinham os quatro membros comprometidos e faziam uso de cadeiras de rodas. Hoje a modalidade é indicada para pessoas portadoras de outras deficiências, desde que similares à paralisia ou tetraplegia.

É o caso do para-atleta Bruno Henrique Guimarães, de 23 anos. Bruno teve paralisia cerebral devido à falta de oxigenação no cérebro durante o parto. Essa condição teve como consequência o comprometimento dos movimentos das pernas, afetando a sua coordenação motora e a fonação. Mesmo com a deficiência, Bruno teve uma infância normal, mas com muitos desafios. Por causa da paralisia, teve o seu desenvolvimento retardado. Sua educação também sofreu decorrências da lesão, já que as dificuldades de aprendizagem eram constantes. Porém tudo foi superado.

A bocha é uma atividade física como qualquer outra, com benefícios e dificuldades. O esporte não tem nenhuma restrição à idade e é jogado de forma recreativa, como competição e também para fins de reabilitação. Ainda existe um preconceito em torno da modalidade: ser considerada um esporte para idosos. Mesmo assim, a bocha tornou-se um apoio contra os efeitos da paralisia.

Bruno sempre foi inteligente e se destacava em tudo que fazia. Entretanto, sentia o peso de ser deficiente físico. Com grandes problemas no controle dos seus movimentos, o para-atleta resolveu praticar a bocha. Sem exigir muito esforço, o esporte foi fazendo parte da sua vida. Estimulando a sua capacidade visomotora e instigando a necessidade de pensar e agir rápido, o jogo contribuiu em seu processo de reabilitação e inserção na sociedade.

São muitos os benefícios nos aspectos físicos e sociais que a atividade física proporciona. Pode-se afirmar que o principal deles está relacionado com o restabelecimento da autoestima do indivíduo e, consequentemente, com a diminuição da depressão provocada pelo impacto da nova realidade que o espera, nos casos de lesão adquirida, facilitando a sua reintegração à sociedade. De acordo com Aline Barros, estudante do oitavo período do curso de Fisioterapia da UFPE, a bocha tem colaborado muito para a vida das pessoas. “A modalidade tem contribuído bastante para o desenvolvimento das habilidades e da inteligência. Os praticantes passaram a ter decisões e opiniões próprias, sem depender o tempo todo de alguém”. A estudante ainda afirma que isso acontece devido a confiança que eles adquirem depois que entram no esporte.

José Carlos, de 41 anos, e Ivanildo, de 36, também são praticantes da bocha. José Carlos ficou paralítico por causa de uma doença congênita e Ivanildo sofreu paralisia. Eles iniciaram a prática do esporte há pouco mais de quatro meses e já sentem a diferença em seus movimentos e na vida social. “Sempre fui uma pessoa muito fechada, não era de muita conversa. Tinha vergonha de andar de cadeira de rodas. Hoje praticar a bocha me fez perceber que posso ser uma pessoa normal. Fiz amigos e até arranjei uma namorada”, diz Ivanildo.

José Carlos e Ivanildo em mais um dia de treino

Satisfação com os bons resultados

Para o professor de Educação Física Maurílio Tenório de Oliveira, não há melhor alternativa para uma reabilitação do que o esporte. “Todo deficiente passa pela fase de rebeldia (onde não aceita a deficiência), fase de adaptação (onde a pessoa procura métodos para a superação) e fase de reconhecimento (onde já obtém resultados e melhorias). Eles estão se dando muito bem”, comenta o professor que auxilia os praticantes da bocha há um ano.

As dificuldades, também encontradas em outros esportes, são falta de apoio e informação sobre o esporte e insuficiência de recursos financeiros. Para praticar a bocha, é necessário um kit contendo 13 bolas (seis azuis, seis vermelhas e uma branca), que custa em média R$ 400,00. Quando os praticantes são patrocinados pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande), o kit não tem custo. Do contrário, eles são obrigados a desembolsar esta quantia para continuarem no processo de reabilitação.  

“Não é preciso muito. Acredito que através de um tratamento de forma igualitária, no sentido de todos adquirirem uma vida profissional e social independente, compreendendo seus direitos e deveres como cidadãos, e estimulando a prática esportiva, podemos colaborar para uma melhoria de vida dos deficientes. É isso que nós da Universidade Federal de Pernambuco buscamos para os nossos atletas”, desabafa o professor.

Conhecendo um pouco mais a bocha

A bocha é uma prática esportiva que pode ser praticada individualmente, em dupla ouem equipe. Acompetição é feita com seis bolas vermelhas, seis azuis e uma branca. A quadra deve ter uma marcação apropriada e precisa ser plana e lisa, de madeira, cimento ou material sintético. O objetivo principal da modalidade é encostar o maior número de bolas na bola-alvo (branca). A pontuação é dada para as bolas mais próximas da bola branca, que são comparadas com as do jogador adversário. Cada bola equivale a um ponto. Caso uma bola vermelha e uma bola azul estejam na mesma distância da bola branca, ao final da parcial, será creditado um ponto para cada jogador.

Medidas oficiais da quadra para a prática do esporte

Caso duas bolas azuis e uma vermelha estejam na mesma distância da bola branca, serão creditados dois pontos para a azul e um ponto para a vermelha. Em caso de dúvida na medição de distância da bola, o árbitro poderá autorizar o jogador (individual) e o capitão (duplas e equipes) para entrarem no local da jogada, a fim de acompanhar a medição. Caso haja empate em número de pontos, ao término das parciais, será jogada uma parcial de desempate, chamada de tie break. E declarado vencedor o lado que tiver o maior número de pontos em sua somatória, ao final de todas as parciais, incluindo o tie break caso ocorra.

Rampas e calhas utilizadas para adaptações

Sem muita diferença no esporte convencional, precisa de adaptações, se necessário, para o atleta conseguir atingir o objetivo. Essas adaptações podem ser feitas com calhas ou rampas. Para facilitar os deficientes, as bolas são confeccionadas com fibra sintética expandida e possuem superfície externa de couro. Seu tamanho é menor que a bocha convencional e pesa 280 gramas. A calha e a rampa são utilizadas quando o jogador não tem condições de jogar a bola com uma boa propulsão.

Mesmo usando essas adaptações, o atleta deve ter um contato físico direto com a bola, antes de fazer um lançamento. Esse contato também pode ser feito através de um ponteiro ou agulha presa na cabeça por uma faixa ou capacete. “Temos atletas que ainda não têm o controle dos movimentos dos membros superiores. São eles que fazem uso das agulhas e dos ponteiros”, diz o treinador Fernando Corrêa. Para sinalizar o início de cada lançamento, o árbitro mostra um indicador, que parece uma raquete de tênis, com cada lado de uma cor.  

Atletas utilizando as adaptações

 

 NOMENCLATURA DO JOGO

  • Jack, bola-mestra ou bola-alvo (bola branca)
  • Cancha (quadra de superfície plana e lisa onde ocorrem os jogos)
  • Box (local onde ficam as cadeiras de rodas dos jogadores)
  • Dispositivos auxiliares (rampas ou calhas para o jogador executar a jogada)
  • Calheiro (pessoa destinada a segurar e executar o movimento – com a calha ou a rampa – para o aluno mais comprometido)
  • Kit (conjunto de bolas de bocha)
  • Elegibilidade (condição motora para que o atleta possa jogar a modalidade, estando dentro do perfil da classificação funcional exigida pelo manual de classificação)
  • Bola morta (bola arremessada para fora das linhas do campo ou retirada pelo árbitro depois de uma violação)
  • Dispositivo de medida (material usado para medir a distância entre as bolas)
  • Equipamento de medição de tempo (material usado para medir o tempo de jogo de uma parcial)
  • Parcial ou set (quando os jogadores terminam de lançar todas as bolas vermelhas e azuis)
  • Partida (soma de quatro parciais ou sets, desde que não haja tie break)

Superação através da natação

03/05/2011

 

Em 1960 a natação entrou na primeira paraolimpíada, realizada em Roma, e desde então vem mudando a vida de muita gente. Na época, não se imaginava que ela poderia proporcionar tantos benefícios, mas hoje o esporte já tem uma grande repercussão nos seus resultados. Além de todos os melhoramentos físicos, esta modalidade auxilia também nos aspectos psíquicos e terapêuticos.

Foi assim com o recordista mundial Luís Silva, de 29 anos. Deficiente desde que nasceu, o atleta procura não deixar que a deficiência seja um impedimento em sua vida. “Nunca deixei de fazer nada que eu quisesse. Sou deficiente, mas não sou diferente”. Satisfeito, hoje ele não tem nenhum problema com a sua aparência física, pelo contrário, é grato por ela ter lhe proporcionado tantas coisas boas. “Fui criado e educado sem qualquer restrição. Lá em casa, eu não era o coitadinho. Era tratado como meus irmãos, sem nenhuma diferença. E isso foi muito bom”.

Luís, esperando resultado oficial

Com Luís, nem tudo foi muito fácil. Ele começou a nadar para passar o tempo aos 13 anos. “Eu largava do colégio e ficava esperando minha irmã terminar as aulas de balé. Sempre fui um rato de piscina e nunca tive problemas com a água, mas a dificuldade foi convencer o professor a me treinar”. Sem saber lidar com a deficiência, o professor do Colégio Salesiano teve receio por não saber o que fazer. Então eu disse a ele: “Me coloca dentro da água e a gente vê o que faz”.

Quem pratica algum esporte está sempre em busca de melhoria em algum aspecto. E a natação paraolímpica, de acordo com os próprios atletas e professores, oferece todos os benefícios que um deficiente precisa. O ex-treinador Manoel Souza diz que a natação é uma atividade completa, pois todos os seus movimentos contribuem para áreas diferentes. Por ser um esporte aquático, a natação paraolímpica facilita a locomoção, auxilia no equilíbrio estático e dinâmico, e proporciona ao atleta a sensação de liberdade.

Aquecimento antes de entrar na água

Luís Silva tem amputação congênita até o tornozelo na perna esquerda, até o joelho na perna direita e abaixo do cotovelo no braço esquerdo. Mesmo assim ele foi longe. Ganhou várias medalhas em campeonatos estaduais e nacionais, bateu quatro recordes mundiais e se diz “fominha” de medalhas. “Por ser deficiente, eu sempre quis provar que era capaz. Sempre quis ganhar tudo”. O atleta é do Rio Grande do Sul, mas veio morar no Recife desde 1994. Assistindo à televisão, ele viu Ivanildo Vasconcelos se preparando para os Jogos de Atlanta e decidiu levar a sério a natação, para competir na paraolimpíada de Sydney, realizada em 2000. Luís foi e ganhou três medalhas de prata.

Participam da natação atletas com deficiência física e visual, divididos em categorias masculinas e femininas por tipo de deficiência. As regras gerais não diferem muito da natação convencional. Lógico que, na natação paraolímpica, existem adaptações (nas saídas, nas viradas e nas chegadas, há orientação para os deficientes visuais) que devem ser respeitadas para que os participantes consigam realizar a atividade. A distinção para cada competição se dá com a classificação de cada deficiência – S1 / SB1 / SM1 a S10 / SB9 / SM10 (deficiente físico-motor), S11 / SB11 / SM11 a S13 / SB13 / SM13 (deficiente visual), S14 / SB14 / SM14 (deficiente mental).

A vergonha em usar shorts ou bermudas foi superada

Conviver com a deficiência não é tarefa fácil. O preconceito e a discriminação ainda existem. Mas é preciso encará-la e levar a vida adiante. “A gente tem que aceitar primeiro a deficiência e ir atrás do que quer. Não ter vergonha”, diz Luís.  Quando criança, o atleta passou por várias dificuldades. Sempre usou prótese, mas, em alguns momentos, precisava retirá-la e isso o incomodava muito. “Eu tinha vergonha de usar shorts. Não gostava que os outros vissem que eu não tinha perna. Nas aulas de Educação Física, os alunos me rejeitavam. Com o tempo, fui acreditando mais em mim e não deixei de fazer as coisas que mais gostava. Passei a ser admirado pela minha persistência”.

A deficiência física pode ser trabalhada de diversas formas. E a natação é uma atividade que colabora para a melhoria de vida de quem a pratica. Um dos esportes mais apropriados para pessoas com algum tipo de deficiência física é a natação. Devido às facilidades e aos benefícios proporcionados pela execução do movimento do corpo dentro da água, a natação desenvolve o condicionamento aeróbio e a coordenação motora, e “reduz” a fadiga muscular. Para indivíduos com deficiência física, o exercício na água significa, muitas vezes, um momento de liberdade. Este movimento proporciona a possibilidade de vivenciar suas limitações e experimentar suas potencialidades. A partir do momento em que o deficiente físico descobre suas potencialidades na água, o seu prazer aumenta, a sua autoestima cresce e a sua autoconfiança floresce. A natação tem valores sociais, terapêuticos e recreativos, além de contribuir bastante para o processo de reabilitação, diminuindo o grau de complicações e de fraqueza corporal (LÉPORE, 1999).

Luís Silva tem vida normal como qualquer pessoa. Estudante de Educação Física da Faculdade Universo, o atleta diz não se importar com os olhares da sociedade. “Eu gosto da curiosidade dos outros, não do preconceito. É normal pessoas virem me perguntar o que aconteceu comigo ou até mesmo ficarem olhando. Eu levo isso numa boa. O que eu não aceito é o pré-julgamento”. Em sua vida de nadador paraolímpico, Luís conquistou várias medalhas, mas hoje já não compete como antes. Em toda competição, há uma reavaliação para analisar o nível que o atleta se enquadra. E foi depois dessa “vistoria” que ele foi rebaixado em sua categoria. Começou a competir com pessoas mais preparadas. Já não ganhava como antes e foi perdendo o entusiasmo. Hoje pratica a natação para se restabelecer de uma lesão sofrida por altos níveis de treinos. Participa de alguns campeonatos, mas não tem o mesmo gás de antes. “Limites todo mundo tem e eu sei quais são os meus”.

Luís em mais uma vitória no Parapan Rio

Seus principais títulos foram Ouro (50m borboleta; 50m, 100m e 200m livre; 4x50m livre e 4x100m livre; 4x50m medley), no Parapan do México, em 1999, tendo o atleta batido quatro recordes mundiais – 50m e 100m livre, 50m borboleta e 4x50m medley; Prata (50m borboleta; 4x50m livre; 4x50m medley) e Bronze (4x100m livre), nos jogos de Sydney, em 2000. O atleta também foi Ouro nos 50m borboleta, 4x50m livre e 4x50m medley, no Campeonato Mundial de Mar del Plata, na Argentina, em 2002; e nos 50m borboleta, 4x50m livre e 4x50m medley, além de Prata nos 50m livre e 100m livre, no Parapan da Argentina, em 2003. Em Atenas, conquistou o Ouro no revezamento 4x50m medley e a Prata no 4x50m livre, em 2004. E no Mundial de Natação, realizado em 2006, ele foi Ouro no revezamento 4X50m medley, batendo o recorde mundial (2m32s36). No Circuito Loterias Caixa 2005, ganhou quatro medalhas de ouro, 13 de prata e duas de bronze. No mesmo circuito, no ano seguinte, foram três medalhas de ouro e oito de prata. No Parapan Rio alcançou Prata nos 50m livre e 100m livre, além de Ouro nos 4x50m medley.

Luis, junto de outros atletas nas Paraolimpíadas de Atenas.

Vários estilos

Na natação, tanto a regular quanto a adaptada, existem quatro estilos que são praticados pelos atletas: crawl, costas, peito e borboleta. O crawl ou nado livre, como também é conhecido, é considerado o mais fácil e o preferido de alguns atletas. Em uma entrevista, o nadador paraolímpico Clodoaldo Silva revela suas preferências: “Treino e disputo provas nos quatro estilos, mas como todo mundo, tenho preferências. O nado costas é o que menos gosto, a minha deficiência não ajuda neste estilo. O nado peito, eu qualifico como nado de preguiçoso, me perdoem os nossos grandes especialistas.

Quando eu estou muito cansado dos outros estilos, começo a nadar peito. Na realidade, não faço força nenhuma. Apenas, flutuo, sem fazer muita força nos braços para me deslocar. O nado borboleta, dos quatro estilos este é o que acho mais bonito, pena que cansa muito e odeio fazer força. Sou apaixonado pelo craw. Não que ache bonito, elegante ou chic, mas por ser o mais rápido. Quando estamos no final do treinamento e meu técnico fala, tem mil metros para fazer da maneira que quiser, eu sempre falo, vou fazer de craw que acabo mais rápido”.

O nado crawl é o nado mais rápido. O nadador movimenta-se com o abdome voltado para a água (decúbito ventral), utilizando propulsão de perna em movimentos alternados assim como os dos braços. Quando um dos braços está fora da água, o nadador pode virar a cabeça para respirar desse lado. Porém muitas adaptações são feitas para o nadador paraolímpico, dependendo da sua capacidade de realizar alguns movimentos. Mesmo com estas adaptações, o nado não deverá ser descaracterizado. Durante a competição, além da arbitragem oficial da competição, classificadores funcionais deverão estar presentes para observar detalhes do nado. No nado de costas o nadador permanece todo o percurso com o abdome voltado para fora da água (decúbito dorsal). Também utiliza propulsão de pernas e o movimento alternado dos braços semelhante ao nado crawl. Porém, as classes baixas (S1, S2 e S3), que são os deficientes físicos motores, poderão nadar com braços simultâneos, ou utilizando a ondulação da cabeça e tronco. Normalmente classes baixas nadam costas e crawl com a mesma técnica.

O nado de peito é o estilo mais lento da natação. As pernas são trazidas para junto do corpo com os joelhos dobrados e abertos (posição da rã), enquanto os braços abrem-se e recolhem-se à altura do peito, projetando o corpo para frente. Na seqüência, as pernas são empurradas dando propulsão ao nadador, e os braços esticam na frente para a repetição do movimento. A inspiração de ar é feita no final da puxada do braço, quando se ergue a cabeça fora da água. Porém, como em todos os estilos, são feitas adaptações. Normalmente o nadador no estilo de peito é uma categoria inferior à de crawl, com mais bloqueios. O nado borboleta é oriundo do nado de peito; os braços passam a ser lançados à frente do corpo por sobre a água e o movimento de perna é simultâneo. Também chamado de golfinho, pela semelhança de movimentos executados pelo animal. A respiração, assim como no nado de peito, é frontal quando o nadador ergue a cabeça após puxar os braços, também podendo ser realizada lateralmente. Não é muito comum que as classes baixas nadem neste estilo que requer muita exigência física. Só a partir da classe S8 é oferecido o 100m Borboleta; antes disso, somente 50m Borboleta.

Vitória no atletismo e na vida

27/04/2011

O atletismo está presente no cotidiano, pois é composto por atividades feitas no nosso dia a dia como correr, pular e arremessar. Mas quando é praticado por deficientes físicos, o que era fácil pode se tornar, no mínimo, complicado. É uma atividade que abrange um grande número de pessoas com deficiências distintas. Nesta modalidade, não há restrição. “Recebemos pessoas com qualquer tipo de deficiência. O nosso objetivo não é distingui-las, mas socializá-las”, diz o professor de Educação Física, da Universidade Federal de Pernambuco, Luís Carlos.

Por ser uma modalidade de fácil acesso, uma vez que não necessita de outros equipamentos para praticá-la, o atletismo tem sido uma ótima alternativa para superar a deficiência. Para deficientes visuais, as provas devem ser feitas com a ajuda de um guia, atleta que auxilia o deficiente na execução da atividade. As provas incluem corridas de velocidade (100, 200 e400 metros), corridas de meio-fundo (800 e1.500 metros), corridas de fundo (5.000 e10.000 metros), corridas de revezamento (4×100 e 4×400 metros), corridas de pedestrianismo (provas de rua e maratonas), saltos (triplo, distância e altura), arremessos e lançamentos (peso, dardo, disco e martelo), e provas combinadas (pentatlo – disco, peso, 100, 1.500 e distância).

Para participar de uma prova voltada para deficientes visuais, os atletas passam por um processo de elegibilidade. São considerados cegos os que necessitam de instrução em Braille e, portadores de visão reduzida, os que conseguem ler textos ampliados ou com ajuda de recursos óticos. Roberta de Souza Menezes, conhecida como Berta, teve retinopatia da prematuridade e já nasceu cega. Esta doença ataca crianças nascidas com peso inferior a1.500 gramasou com menos de 32 semanas de gestação. Como já nasceu com a deficiência, Berta considera o processo de aceitação e superação mais fácil. “Cresci cega e isso facilitou algumas coisas. Aprendi a me virar sozinha desde cedo. Nunca gostei de depender de outras pessoas. Isto me fez correr atrás dos meus sonhos”.

Com 28 anos, Berta é casada e trabalha como recepcionista de um escritório de contabilidade. “Eu estava satisfeita com a minha vida, mas tinha a sensação de que faltava algo. Foi quando uma amiga (deficiente física) me apresentou o atletismo. Pratico-o apenas como um exercício, mas não penso em largá-lo nunca mais”. Roberta diz que o esporte lhe proporcionou muitos benefícios. Além de se sentir mais disposta, afirma que o esporte a ajudou na superação de seus medos. “Meu sonho era poder correr, sentir o vento batendo no meu rosto, mas tinha muito medo de cair. Hoje eu pratico corrida e sou a pessoa mais feliz do mundo. Agora sou capaz de fazer qualquer coisa”.

Atleta deficiente visual utilizando a corda como adaptação

Com a ajuda do seu guia, Berta conseguiu conquistar o seu desejo. Presa a uma corda que fica entre a sua mão e a mão do profissional, ela corre em disparada e mostra toda a sua habilidade na prática do esporte. O guia tem um papel imprescincível para essas pessoas – a tarefa de conduzir o deficiente em todo o seu deslocamento. Trata-se de uma função que requer muito preparo físico e profissionalismo.

Ainda sobre os benefícios trazidos pelo atletismo, o professor alerta sobre as dificuldades encontradas no esporte e também sobre as lesões causadas pela forma incorreta da prática desta modalidade. “As maiores dificuldades encontradas em um deficiente visual são insegurança, falta de controle e equilíbrio. Quando o esporte é praticado de forma correta, é possível ver em poucos dias as melhorias. As pessoas se socializam mais rápido, desenvolvem sua parte física, tornam seus movimentos naturais, proporcionando uma melhor orientação, locomoção e mobilidade”. Luís complementa: “As lesões podem ser muito sérias, de uma simples queda a uma contusão mais grave. Além de machucar o atleta, elas podem causar traumas irreversíveis. A falta de aquecimento, o exagero nos exercícios ou até mesmo a irregularidade do solo podem provocar sérias lesões traumáticas”.  

Roseane realizando o aquecimento

Roseane Cordeiro, 35 anos, pratica o atletismo há dois anos, mas se machucou seriamente. Teve um estiramento no braço esquerdo. Ela ficou paraplégica devido a uma lesão medular após uma queda ainda quando criança. Alé disso ela é surda e muda, falando e escutando através da língua dos sinais. Hoje não tem problemas com seus saltos. Consegue desenvolvê-los de forma correta, mas sentiu dificuldades no começo. Por causa de uma comunicação deficiente, não conseguiu compreender as orientações dadas. Caiu e foi lesionada. Ainda está se recuperando, mas bem mais confiante.  Por meio do seu treinador, diz que demorou a se adaptar ao esporte, pois os professores não conseguiam entendê-la. Roseane precisou ter ajuda, inicialmente, do seu irmão, que também fala a língua dos sinais, para praticar o atletismo. Agora seu treinador já consegue compreender e passar as devidas recomendações na hora dos saltos.

O esporte é indicado para todas as idades e para qualquer condição física. Com crianças de cinco a sete anos, existem algumas restrições. Os movimentos são trabalhados através de jogos – corridas, saltos e arremessos, fazendo com que as crianças deficientes se acostumem com as atividades. Dependendo do crescimento e do rendimento da criança, inicia-se o trabalho de atletismo. O esporte já é levado mais a sério, mas na maioria das vezes é só na fase adulta que a modalidade pode ser vista profissionalmente.

Suely em mais uma prova de arrmesso de peso

Por não ter restrição em termos de deficiência, o atletismo também é praticado por deficientes físicos. A para-atleta Suely Guimarães é um exemplo desta modalidade. Campeã em várias paraolimpíadas, pratica arremesso de peso. Pernambucana, de São José do Belmonte, perdeu as duas pernas quando tinha apenas sete anos. Ela foi atropelada na calçada por um motorista bêbado. Em entrevista a um site, disse que todas as suas vitórias foram conquistas muito importantes. “Todas as medalhas são importantes para mostrar que o esporte paraolímpico está tendo grande visibilidade. Mas o melhor de tudo é a minha superação como pessoa”, diz a para-atleta.

Suely Guimarães no Engenhão - Parapan - Americanos

De um modo geral, o esporte não pode ser limitado apenas ao ser humano fisicamente normal. Ele é bem-vindo para qualquer pessoa, independente de qualquer condição. Mas a diferença está em toda parte: nas fases da lua, nas marés, nas estações do ano, no crescimento das plantas e também do homem. Os movimentos não são iguais para todos. Cada um tem seu tempo e sua forma de realizá-los. Eles são mutáveis e individuais.

 Muito mais que um atleta

O guia Lucas Prado com atleta

O guia é um profissional que trabalha juntamente com o atleta deficiente visual. Esta função não é para qualquer pessoa. Além de atleta, ele é também uma pessoa de confiança (“os olhos do atleta cego”). O desempenho final do esportista sempre depende da performance do guia. Reginaldo Lima, de 35 anos, é guia desde 2006. Sempre foi atleta e corria por hobby. Então foi convidado por um professor de Educação Física para exercer esta função, devido ao seu preparo físico. “Para mim não mudou muita coisa. Continuo correndo como antes, só que agora sou responsável por outra pessoa. Mas a pessoa cega precisa ter confiança em seu guia. E isso eu conquistei. Precisei conhecer as regras do atletismo para me aperfeiçoar. É bom se sentir útil para alguém”.  

Além de confiança, o profissional deve passar calma e segurança. Seu trabalho começa desde o aquecimento e se estende até as competições. Nelas, ele deve usar um colete da cor laranja, para facilitar a identificação. O guia tem que ser presente no dia a dia do atleta. A convivência é imprescindível para se obter o melhor resultado.                                                                                   

Sem razão para ter vergonha

27/04/2011
 

 

Ele atravessava o semáforo quando o avistei. Tranquilo e aparentemente bem resolvido com a sua deficiência, o que me chamou atenção foi o objeto que carregava em seu colo: uma bola de basquete. O sinal abriu e eu resolvi estacionar o carro e ir atrás daquele homem. Chamei-o de longe, identificando-me, e logo em seguida estávamos conversando. Simpático, ele começou a falar da sua vida sem nenhum problema.

Kiko, como preferiu ser identificado, contou-me que aos nove meses de idade adquiriu poliomielite. Teve a perna esquerda paralisada e com isso precisou usar muletas para se locomover. Após uma queda durante o banho, teve o fêmur quebrado e precisou usar cadeira de rodas. Aos 15 anos, Kiko foi convidado por um amigo, também cadeirante, para jogar basquete. Com preconceito, por achar que o esporte era apenas praticado por meninas, começou a fazer natação. Por problemas de adaptação, o menino deixou o esporte aquático e foi praticar basquete.

Desse dia em diante, sua vida só fez melhorar. Como se destacou durante os treinos de basquete que praticava no Sesi de Paratibe, Kiko foi chamado para fazer parte da Associação Desportiva de Deficientes Físicos de Pernambuco e foi crescendo a cada dia. Hoje, com 30 anos, ele conta que o basquete trouxe vários benefícios para a sua vida. “Eu mesmo tinha discriminação da minha deficiência. Tinha vergonha mesmo. E o basquete me fez superar vários traumas e medos que eu trazia desde criança”.

Atletas disputam pela bola

Além de melhorar sua autoestima, o esporte paraolímpico proporciona enriquecimento na parte física do atleta. O livro “O esporte na paraplegia e tetraplegia” enfatiza que o esporte adaptado deve ser considerado uma alternativa lúdica e mais prazerosa, sendo parte do processo de reabilitação das pessoas portadoras de deficiências físicas.

A deficiência sempre foi motivo de impedimento na vida de Kiko. Privações, limitações e preconceitos sempre estiveram ao seu lado. Mesmo sem se deixar levar por essas dificuldades, o atleta fala dos transtornos de ser um cadeirante num lugar onde a acessibilidade não existe para todos. “Já caí várias vezes por não ter rampas nas calçadas. A gente tem que se arriscar andando em meio aos carros, porque as calçadas são todas esburacadas. Passo horas esperando um ônibus adaptado para me locomover. As pessoas não pensam no deficiente”.

Acompanhei Kiko durante dois dias. Passávamos horas conversando em sua casa. Várias adaptações foram feitas em sua residência para que as atividades do dia a dia fossem realizadas sem nenhum problema. Atualmente mora com sua esposa e uma filha de dois anos e três meses. Tem vida normal e não pensa em largar o esporte por nada. “O basquete só me trouxe coisa boa. Tudo o que tenho ganhei praticando o basquete. Já viajei para vários lugares e conheci muitas pessoas. Não sei o que seria de mim sem este esporte”, diz emocionado.

O basquete em cadeira de rodas é um esporte que garante agilidade, equilíbrio, força muscular e coordenação motora para quem o pratica, além de inclusão e inserção na sociedade. Infelizmente a prática de um esporte não é acessível para todos os deficientes. Por necessitar de adaptações, o custo de praticar um esporte adaptado pode ser muito alto. E pessoas como Kiko, sem condições financeiras, precisam se esforçar muito para seguir em frente.  

Equipe de cadeirantes de Teresina

Como hoje ele faz parte de uma associação, conseguir patrocínio (e/ou pedir ao governo) fica mais fácil. As cadeiras de rodas utilizadas pelos atletas foram doadas, mas qualquer dano que sofram fica por conta do atleta. Diante desta dificuldade, Kiko resolveu voltar a estudar. Fez vários cursos, inclusive de soldador, no Senai, para se profissionalizar e ele mesmo confeccionar as cadeiras usadas por ele e seus companheiros. Ele diz: “Senti uma necessidade de ajudar de alguma forma. Aprendi e agora não dependemos das migalhas do governo”. As cadeiras fabricadas por ele ainda são utilizadas apenas para os treinos. Em jogos oficiais, os instrumentos devem seguir um padrão para não desfavorecer os outros jogadores.

Agora, além de jogador, Kiko também se tornou mecânico de cadeiras. Viaja pelo Brasil inteiro realizando as manutenções dos equipamentos. Entre os dias 25 e 5 de maio, ele estará em Mogi das Cruzes,em São Paulo, e no período de20 a27 de maio ele viaja para Manchester, na Inglaterra, para pôr em prática a sua nova especialidade.

Necessidade ainda distante

O basquete em cadeiras de rodas foi criado nos Estados Unidos por ex-combatentes da Segunda Guerra. A modalidade foi trazida para o Brasil através de Sérgio Del Grande. Depois de um acidente em uma partida de futebol, ele ficou paraplégico. Então viajou para os EUA em busca de um tratamento de reabilitação e criou o Clube dos Paraplégicosem São Paulo.

Vários autores destacam a importância do basquete no processo de recuperação de deficientes. A prática de atividades físicas como o basquete proporciona, no aspecto psicológico, benefícios contra sentimentos como agressividade, medo e frustrações. Observou-se também que a prática desta modalidade oportuniza benefícios físicos para os seus praticantes, tais como ganho de independência nas atividades diárias e melhora da aptidão física, da autoconfiança e da autoestima (REZER; COSTA; BOHES, 2005).

Cadeira adaptada

O que encarece a prática do esporte é a cadeira de rodas feita especialmente para o basquete. O instrumento é todo adaptado para evitar qualquer acidente e é feito, na maioria das vezes, sob medida para o jogador. Responsável pelas vendas de cadeiras de rodas desportivas em uma loja de São Paulo, Romero Fernandes fala da importância do equipamento: “A cadeira tem que ser a melhor possível. O deficiente precisa de segurança para praticar o basquete e a cadeira de rodas é o seu instrumento de locomoção. As cadeiras são conhecidas como desportivas e possuem características que as tornam mais leves e aerodinâmicas. A maioria delas já possui uma roda anterior, posicionada atrás do assento e rebaixada como medida de segurança, a fim de evitar quedas. Elas não possuem travões e a “viragem” das rodas para 360º pode ser feita apenas com uma mão”.

Esportes como o basquetebol em cadeiras de rodas tornam-se uma forma de inclusão e inserção não somente social, mas de motivação e valorização do eu como uma das coisas mais procuradas e importantes nesse processo. A possibilidade de maior autonomia e até independência, através da prática de atividades físicas, permite ao indivíduo ser reinserido na sociedade, minimizando as diferenças. Desta forma, o portador de necessidades especiais deixa de ser tratado como inferior e sem valor.

O custo de uma cadeira de rodas desportiva varia de R$2.000 aR$ 4.500, dependendo da necessidade do usuário. Como as cadeiras são fabricadas sob medida, os componentes devem ser descritos em um formulário, no ato da compra, com todas as informações necessárias. “É imprescindível que o atleta descreva como quer personalizar sua cadeira. Isto faz com que a deficiência seja minimizada”, diz o vendedor.

As cadeiras fabricadas nas lojas de ortopedia de São Paulo são construídas com tubos de alumínio aeronáutico e bitolas combinadas, buscando otimizar sua resistência e leveza. A estrutura é personalizada de acordo com as necessidades do jogador. Existe um eixo transversal de liga especial, com buchas receptoras nas extremidades com cambagem opcional, que é fixado na estrutura da cadeira através de mancais de alumínio que permitem a regulagem do centro de gravidade e um ajuste perfeito. As rodas traseiras são montadas com aro de alumínio específico para competição (aro opcional 24, 25 ou 26), pneus semitubulares montados com câmara de alta pressão, cubos de alumínio montados com rolamentos de precisão, eixo removível tipo quick release de alta resistência e protetor de raios. Já as rodas dianteiras em poliuretano são montadas com rolamentos de precisão, garfo de alumínio reduzido e eixo vertical de aço fixado em cubos dianteiros rolamentados. Os pedais são ajustáveis, havendo um protetor de roupas incorporado na estrutura da cadeira, que possui ainda estofamento em náilon impermeabilizado de alta resistência, com faixas de velcro para ajustes, almofada de alta densidade e acabamento de pintura eletrostática. O prazo de entrega pode chegar até 60 dias.

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